O NADADOR E O ABSURDO

WANDERSON LIMA

Publicado em 1984, Balada do nadador do infinito ocupa um lugar singular na trajetória literária de Álvaro Pacheco, marcando um ponto de inflexão formal em sua produção, na medida em que abandona a lógica da coletânea de poemas autônomos para assumir deliberadamente a forma de um único poema extenso, de estrutura quase narrativa, cujo movimento lembra mais o de uma partitura sinfônica do que o de um livro lírico tradicional. Trata-se, com efeito, de um poema de fôlego, organizado por variações sucessivas em torno de um mesmo núcleo temático – inspirado, como se sabe, num episódio real de suicídio noticiado em 1983 –, mas que, ao se desdobrar, vai progressivamente deslocando o foco do acontecimento em si para uma investigação mais ampla e difusa sobre a condição humana, suas perplexidades, seus impasses e suas zonas de silêncio.

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A INTERDISCIPLINARIDADE AJUDANDO A HISTORIOGRAFIA

CARLOS AUGUSTO COSTA DE SOUZA

RESUMO

Pretende-se aqui propor uma reflexão sobre a interação do historiador, não somente com seus pares, como também com uma gama de atores que participam do processo de análise histórica, e que em muitos casos, não mantém qualquer tipo de vínculo acadêmico com a Historiografia. Com este propósito, apresenta-se um livro como apoio ao material didático. Neste contexto, surge a questão sobre a legitimidade, ou não, da intervenção desses interlocutores nos debates historiográficos, uma vez que, não raramente, tais intervenções trazem informações distorcidas, equivocadas e, em alguns casos, maliciosamente manipuladas.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade; Liberdade; Literatura; Criatividade; Ensino.

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O SOM COMO LINGUAGEM

Convergências entre o filme Psicose (1960) e a poética do cordel

LAIANE LIMA FREITAS

O som ocupa papel central na construção da linguagem cinematográfica e na experiência estética do espectador. Desde os primórdios do cinema, mesmo antes do advento do chamado “cinema falado”, a música e os efeitos sonoros já se faziam presentes como recursos fundamentais para intensificar emoções, criar atmosferas e orientar a recepção das imagens em movimento. A articulação entre a banda sonora, composta por música, ruídos e voz, e a banda visual constitui um sistema semiótico complexo, em que cada elemento contribui para a elaboração de sentidos. No caso de gêneros como o suspense e o terror, o som se revela determinante, seja no grito que ecoa como expressão máxima do medo, seja nos silêncios que instauram tensão e expectativa.

Ao mesmo tempo, a literatura de cordel, em sua tradição poética e oral, compartilha com o cinema a centralidade do som. Seja pela métrica, pela musicalidade dos versos ou pela performance da declamação, o cordel evidencia como a palavra escrita preserva a dimensão acústica da poesia. Assim como a trilha sonora intensifica o efeito das imagens no cinema, os recursos fônicos e rítmicos potencializam o efeito da narrativa popular.

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A CARTA DA MORTE

BRUNO MARCOS NUNES COSMO

Prezados mortais, resolvi lhes escrever uma pequena carta, pois, inúmeras vezes sou atacada por vocês que me amaldiçoou e criticam meu trabalho. Infelizmente não posso mudar o ramo em que atuo, mas gostaria de esclarecer algumas coisas. Sem mais demoras, irei me apresentar: Prazer, eu sou a morte!

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O IRREFREÁVEL, DE ALEXEI BUENO – DEVIR E PERMANÊNCIA

HENRIQUE DUARTE NETO

Livro recém-lançado, neste 2025, O irrefreável, de Alexei Bueno, saído por sua própria editora (Anadiômene), é um caso de poema-opúsculo potencializado por distintas atmosferas cromáticas. O aludido irrefreável é um rio, ou antes córrego, que atravessa parte da capital do estado do Rio de Janeiro prefigurando para o poeta-pensador reflexões e imagens acerca do ser humano, das coisas em si e, no geral, do próprio fenômeno da existência, em sentido estrito e amplo. Esse rio, inclusive, tem nome, Trapicheiros ou Trapicheiro, sendo cada uma das formas enaltecida, já que o período de tempo em que se fez e faz alusão a ele se alterou, gerando, assim, a dualidade referencial. O poema de certa forma segue o desnível do rio (desnível mais intuído pela estrutura do que dito pelo poeta), com versos longos e curtos, prioritariamente sem o recurso explícito das rimas, o que em livros como O sono dos humildes (2021) e Naquele remoto agora (2024), esteve, pelo contrário, presente de forma recorrente.

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DAS FERIDAS NARCÍSICAS EM “ELES ERAM MUITOS CAVALOS”

LUCAS NEIVA DA SILVA

Do espanto nasce a mestiçagem entre poesia e filosofia. Isso é discutido por Pucheu em Escritos da admiração, quando o poeta afirma que ambas se aproximam não tanto pela via da interrogação, da dúvida, mas pela via da exclamação. Da “exclamação das palavras que insistem em transbordar com o admirável” se materializa uma poesia-pensamento. Consequentemente, essa “miscigenação conduz da apatia ao páthos do admirável, do aético ao éthos do espanto”.

Pois bem. Nessa perspectiva, é possível pensar que o espanto que emerge da e na literatura possui um potencial filosófico. O acontecimento espantoso – ou, em um neologismo imperfeito, evento espantático, em analogia ao evento traumático da psicanálise – funciona como uma zona de indiscernibilidade e transdisciplinaridade entre o poético e o filosófico, na ordem do “o quê?” para o primeiro, e do “como?” para o último.

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PORQUE ERAM ELAS PORQUE ERA EU

CAILANI ALVES DE CARVALHO 

BRITO, Herasmo B. O. Porque Eram Elas Porque Era Eu. São Paulo: Patuá, 2025.

O livro intitulado Porque Eram Elas Porque Era Eu é uma obra que, além de narrar um romance entre três pessoas, também propõe ao leitor reflexões sobre literatura, filosofia, cinema e sobre a tendência neorregionalista, apresentando também personalidades de destaques nessas áreas. A obra é de autoria de Herasmo Braga de Oliveira Brito.

A obra foi publicada em 2025 pela editora Patuá, tem 152 páginas e é dividida em 10 capítulos curtos, que o autor não intitula, apenas numera. Os capítulos seguem uma cronologia, sendo organizados na ordem dos acontecimentos. Cada novo tópico corresponde a uma parte da história.

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OS DESAFIOS DA FORMAÇÃO LEITORA DOS ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DO CAMPO

Uma perspectiva do espaço neorregionalista

IARA CARDOSO DE SÁ

HERASMO BRAGA DE OLIVEIRA BRITO

RESUMO

Este estudo traz uma reflexão sobre os desafios da formação leitora dos alunos do 8º ano do ensino fundamental, matriculados em escola pública, da Educação do Campo, numa perspectiva do espaço neorregionalista, que é uma continuação do regionalismo brasileiro num panorama contemporâneo. A relevância desse estudo reside numa proposta didática para diminuir equívocos de leitura, a partir de reflexões, faz-se necessário valorizar sua cultura e linguagem próprias, para o desenvolvimento da leitura e compreensão. Para tanto, identificou-se e categorizou-se o fenômeno pós-moderno como a informação, atribuída ao excesso do uso dos smartphones pelos alunos. Para fundamentar esta pesquisa, utilizou-se os estudos de Iser (1996), Gumbrecht (2010), Kleiman (2013), sobre leitura; Brito (2017), sobre neorregionalismo e Han (2023), sobre o excesso de informação e a ausência de narração, e, com base nos dados levantados em pesquisa piloto produzido por uma das pesquisadoras, buscam dar um tratamento teórico bem fundamentado para as dificuldades de leitura observadas. A amostra é constituída por 28 (vinte e oito) leituras textuais verificadas em aplicação da atividade-piloto para a turma do 8º ano (séries finais) da rede pública, localizada na zona rural do município de Codó (estado do Maranhão) e está, basicamente, dividida em duas etapas: (i) leitura textual espontânea dos alunos; e (ii) releitura após o levantamento dos problemas mais recorrentes, com a mediação e intervenção da docente. Em seguida, os dados coletados passaram por um procedimento qualitativo e quantitativo com vistas a averiguar os percentuais de ocorrências e desafios da formação leitora dos estudantes da Educação do Campo em uma perspectiva neorregionalista e relacioná-las ao contexto escolar pesquisado. Este estudo identificou que a informação, ou seja, o uso excessivo do smartphone, pode estar interferindo no desenvolvimento da leitura e compreensão do texto. Nesse sentido, com o intuito de minimizar essas ocorrências, e após o levantamento dos dados, a saída será trabalhar com a releitura dos textos e a conscientização para selecionar as informações advindas da pós-modernidade através dos smartphones de maneira positiva. Nessa perspectiva, o trabalho deve partir dessas ideias, para que seja possível mitigar ocorrências de interferências na leitura e compreensão de texto desses alunos, oportunizando a estes, a apropriação das convenções leitoras na aprendizagem das aulas de língua materna.

Palavras-chave: Desafios, Educação do Campo, Leitura, Neorregionalismo.

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UM JANTAR, UM COMEÇO

ADRIANO ESPÍNDOLA SANTOS

Marcos me chamou para um jantar entre amigos. Foram seis convocados no total. Cada um ficou com a incumbência de levar vinho e petiscos finos, queijos etc. Não dou a mínima para o requinte, o que me importa é conversar com Marcos, que há cinco meses passa por um processo de depressão e ansiedade. Segundo ele mesmo, estava esse tempo sem “ver gente” e precisava conversar, por isso convidou só os mais chegados. Logo fui recebido por Débora, sua melhor amiga, que já estava muito bem instalada, com uma taça na mão, rodopiando pela casa, que não é assim tão grande. Meio sem jeito, me serviu, porque, apesar da amizade com Marcos, pouco me conhecia.

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LEMBRAR COMO ESPÉCIE DO IMAGINAR

Uma proposta neurofenomenológica sobre a memória como narrativa

 LUIZA PASSINI VAZ-TOSTES

 

RESUMO

Este artigo propõe uma formulação conceitual original: a de que lembrar constitui uma espécie do gênero imaginar. Com base em evidências da neurociência cognitiva — como a teoria da simulação episódica e os estudos da neuro-narratologia —, bem como em fundamentos da fenomenologia da memória e da teoria narrativa, sustenta-se que lembrar não é uma simples recuperação do passado, mas um processo de imaginação referencial. A memória é compreendida como forma simbólica de reorganização do vivido, ancorada em vestígios mas aberta à reconfiguração. A analogia espécie-gênero é tratada como operador epistemológico, e suas implicações éticas, estéticas e terapêuticas são exploradas à luz de sua validade externa em diferentes campos, como literatura, psicologia e educação.

Palavras-chave: memória, imaginação, narrativa, neurofenomenologia, identidade

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