HENRIQUE DUARTE NETO
Ricardo Lima brinda-nos com novo lançamento (Tudo é falso, Ateliê Editorial, 2025). Ele que é um dos poetas mais parcimoniosos e regulares que conheço no quesito publicação. Oito livros de poesia desde 1994. Nem pouco, nem muito. Publiquei há dez anos, um livrinho (As múltiplas faces do tempo na poesia de Ricardo Lima, Insular, 2016) de pouco mais de 100 páginas sobre o arco que vai de Primeiro segundo, seu opúsculo de estreia, até o sexto, Desconhecer, lançado em 2015. O mote dessa reunião era a questão do tempo e a intuição de que na verdade estava diante de um poeta que dilui a realidade, quase que da maneira dos surrealistas. Cheguei mesmo a sugerir um neossurrealismo do poeta, coisa que, passado um decênio, em virtude principalmente dos dois livros que saíram depois e mesmo em relação à própria mudança de interpretação minha do pequeno universo trabalhado, não faria mais.