Um estudo comparatista entre Do fundo do poço se vê a lua (2010) e Barreira (2014)
BIANCA PATRÍCIA DE MEDEIROS NASCIMENTO
Resumo
Este artigo propõe uma análise literária comparatista entre Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron (2010), e Barreira, de Amílcar Bettega (2014). Para tanto, comparamos os narradores dos romances e os seus encontros culturais com o Oriente (especificamente, com o Egito e a Turquia) a fim de perceber a postura dos narradores quando diante desses espaços. Como aporte teórico, mobilizamos a teoria de Gérard Genette (2015) sobre o discurso narrativo; Carlos Guillén (1985) e Edgar Nolasco (2010) dão as bases para uma literatura comparada interdisciplinar. Edward Said (2007) e Homi Bhabha (1998), bem como Roy Wagner (2010) e Terry Eagleton (2011), sustentam nossas leituras sobre alteridade, cultura e colonialismo. A partir desse quadro teórico, buscamos compreender como as narrativas tensionam as representações do Oriente, problematizam identidades e evidenciam o papel do duplo na construção de experiências interculturais. Assim, propomos uma leitura que, ao mesmo tempo em que observa a complexidade formal das obras, discute suas implicações no campo dos estudos literários latino-americanos contemporâneos e nas representações culturais globais.
Palavras-chave: Do fundo do poço se vê a lua; Barreira; Alteridade; Duplo.