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Canto Desalojado Alfredo Fressia [Lumme Editor, Bauru/SP, 2010] vendas : vendas@lummeeditor.com A poesia de Alfredo Fressia, coligida e traduzida na presente antologia bilíngüe sob o título de Canto desalojado, é herdeira emblemática da ancestral dualidade uruguaia. Trata-se de um poeta uruguaio incidentalmente residente no Brasil, que permaneceria tão uruguaio caso morasse em Paris ou em Baikiri? Ou seria então um poeta brasileiro, pois naturalizado brasileiro, com a peculiaridade de escrever em castelhano? Se uma identificação geográfica fosse de fato essencial para se qualificar uma poesia, qualquer poesia, seria talvez o caso de se criar para Alfredo Fressia uma categoria particular só dele – a de poeta cisplatino, categoria com um gentílico amplo o suficiente para englobar todo o lado de cá do Prata, de Montevidéu a São Paulo, em suas múltiplas idiossincrasias, e indicativa do que “poderia ter vindo a ser sem nunca ter sido” o caldeirão cultural luso-uruguaio, há muito desaparecido como promessa. A seleção de poemas dessa antologia norteou-se, e se deixou nortear, sobretudo pelo caráter “desalojado” da poesia de Alfredo Fressia. Canto desalojado é uma coletânea do fora do lugar, do que não se enquadra perfeitamente em seu contexto e em nenhum outro, do que se vê deslocado até mesmo em seu canto de origem. (Fábio Aristimunho Varges, no Prólogo do organizador)
Todos os Ventos Antonio Carlos Secchin [poesia reunida, RJ, Nova Fronteira, 2002]
Dedicar-se à poesia e não a um estilo poético é a missão assumida por Antonio Carlos Secchin, cujos poemas reunidos aparecem somente agora, depois de 30 anos de produção Todos os ventos, Nova Fronteira: 2002. Sua atuação como professor de literatura e crítico de poesia lhe deu uma abertura para todas as formas poéticas, que ele pratica como caminhos possíveis para a literatura, que pode estar tanto na prosa mais pedestre quanto na lírica com aspirações de sublimação metafórica. O poeta é, para ele, um conciliador permanente de contrários: de um lado, poemas satíricos, de outro, solenes sonetos; o verso tendendo para experiências concretas ou carregado de ressonâncias românticas; a poesia ligeira convivendo com experiências mais complexas e extensas; o biografismo lírico e a discussão aforística do fazer poético. São estas janelas opostas, dando para paisagens diferentes, que encontraremos em um livro marcado por uma profunda aceitação do outro, um outro visto como possibilidade de ser um eu/linguagem. Se, como crítico, a poesia existe para Antonio Carlos Secchin, como poeta, a crítica também conta para ele. Distante da intransigência estética dos poetas-críticos, que circulam dentro de um conceito artístico tribal, Secchin tem um interesse visceral por todas as possibilidades de abordar a poesia, esta arisca amante, sempre provisoriamente travestida. (Miguel Sanches Neto)
Escritos sobre Poesia & alguma ficção Antonio Carlos Secchin [RJ, edUERJ, 2003]
Antonio Carlos Secchin não consegue surpreender com a publicação de seu novo livro, Escritos sobre poesia & alguma ficção. O que é uma alegria para o seu leitor assíduo. Não se trata de mais um livro de ensaios, mas, como percebeu com inteligência André Seffrin, de uma ficcionalização da crítica literária. Desse modo, põe à margem o pernóstico vocabulário acadêmico (que nunca o contaminou) para poder manter a beleza, tantas vezes vitimada, do objeto que observa. As duas criações mais explícitas do livro (Memórias Póstumas de Castro Alves e Em torno da traição) acabam sendo apenas uma metonímia mais impactante de sua crítica escritural, o que se percebe desde Poesia e Desordem, passando por seu estudo de referência João Cabral: a poesia do menos. Poetização da escrita ensaística, conexão de uma sintaxe limpa e legível com uma elaborada seleção vocabular e sem afetação, aproximação metafórica que põe em risco o conceito para dar vazão à percepção ativa, infidelidade à ilusória exatidão iluminista, são qualidades que, juntas, retiram o mérito da adivinhação: trata-se inevitavelmente de Antonio Carlos Secchin. (Peron Dias)
Oeste Nishi Paulo Franchetti tradução para o japonês H. Masuda Goga [Ateliê editorial, Cotia-SP, 2007]
Que novidade a tradição do haicai pode trazer ao leitor ocidental? Para Paulo Franchetti, que reúne em Oeste suas contribuições ao gênero, o haicai busca não a beleza da imagem ou da combinação dos sons, mas o registro ou o despertar de uma percepção muito ampla ou intensa nascida de uma sensação. O bom texto de haicai é aquele que consegue, com o mínimo, obter apenas o suficiente. Os poemas desta edição bilíngue podem ser lidos em japonês na primorosa versão de H. Masuda Goga. (site da Ateliê Editorial)
Livro de Papel Adriana Versiani dos Anjos [Edição do Autor, Belo Horizonte, 2009]
O diferencial desafiador do novo livro de Adriana Versiani está na questão emblemática posta no tema: Como ou por que "escrever biografias de vocês que não existem"? Desmantela-se desde já a concepção da falácia literária, bem como da caracterização acadêmico-genérica da biografia ou do conceito remanescente da Antiguidade Clássica ou da ideia remotíssima de a autora estar a homenagear Aristóxeno de Tarento, criador da biografia literária. Seus relatos são, realmente, ricos em estranhamento, uma releitura da estética neobarroca e do classicismo na biografia contemporânea, que incorpora fragmentos, cartas, resíduos de memória, revelações/descrições inusitadas, segredos compartilháveis, uma tendência moralizante da linguagem pós-feminista. (Márcio Almeida. In: jornal Estado de Minas)
A Densidade do Céu sobre a Demolição Casé Lontra Marques [Confraria do Vento, Rio de Janeiro, 2009]
Tornar interminável o que sempre termina. Esta parece ser a aventura da intensidade na poesia de Casé Lontra Marques neste seu terceiro trabalho poético A densidade do céu sobre a demolição. De um ponto ao outro e a qualquer ponto, em direções múltiplas e infinitas, a intensidade da escrita, as formas potencializadas das múltiplas estruturas de texto e a impossibilidade reabilitada a cada instante, ou seja, tornando interminável o que termina, reescrevendo intensidades e densidades para navegar por mares adulterados do sentido, tornam este livro uma aventura de intensidade, pensamento e espessura de sentidos e linguagem. (Alexandre Moraes. In: blog A densidade do céu sobre a demolição)