O centenário de morte de Machado de Assis motivou em 2008 centenas de edições e reedições, o que parece ter atenuado ou até mesmo ofuscado o movimento editorial em torno do centenário de nascimento de João Guimarães Rosa. A segunda edição atualizada da Ficção completa (Nova Aguilar) de Rosa, org. Eduardo F. Coutinho, publicada em dois volumes no início de 2009 é registro tardio mas necessário, ao qual podemos juntar uma coletânea de ensaios, Bem e mal em Guimarães Rosa (Uapê/Puc Rio), org. Eliana Yunes e Maria Clara Lucchetti Bingemer. De 2008 é também a tiragem especial Rosa centenário: três contos do Sagarana pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil, com ilustrações do extraordinário Adir Botelho, infelizmente restrita aos sócios.
Dadas as circunstâncias, antes de abordar o movimento editorial do primeiro semestre de 2009, é preciso complementar o anterior, com lançamentos dos últimos meses de 2008. Para início de conversa, o balanço poético: Melhores poemas (Global), de Alphonsus de Guimaraens Filho, org. Afonso Henriques Neto, Melhores poemas (Global), de Sousândrade, org. Adriano Espínola, Palavras e pétalas (Desiderata), de Cecília Meireles, org. Antonio Carlos Secchin, Bandeira de bolso: uma antologia poética (L&PM), org. Mara Jardim, A cidade e as musas (Desiderata), de Manuel Bandeira, org. Antonio Carlos Secchin, Talhe rupestre: poesia reunida e inéditos (Edufrn), de Paulo de Tarso Correia de Melo, org. Carlos Newton Júnior, Cancioneiro carioca e brasileiro (Annablume), de Glauco Mattoso, Fábrica de ritos (Thesaurus), de José Santiago Naud, Ó (Iluminuras), de Nuno Ramos, Um estrago no paraíso (Sudoeste), de Eudoro Augusto, Autobiografia: poemas (Fundação Cultural Capitania das Artes), de Nei Leandro de Castro, Monolítico (Design), de Luiz de Miranda, A fábrica do feminino (7Letras), de Paula Glenadel, Peso morto (7Letras), de Alexandre Rodrigues da Costa, As águas do espelho (Editora da UFPE), de José Rodrigues de Paiva, 50 poemas escolhidos pelo autor (Galo Branco), de Lina Tâmega Peixoto, Cage/Jaula (Host), de Astrid Cabral, edição bilíngüe (português/inglês) em tradução de Alexis Levitin, e Estranhos próximos (Edição do autor), de Ésio Macedo Ribeiro, livros que circularam sem muito alarde, o que também aconteceu com os romances A longa migração do temível tubarão branco (Fundação Cultural de Curitiba), de Lourenço Cazarré, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite (Rocco), de Fal Azevedo, Quando os demônios descem o morro (Casa & Palavra), de Rui Mourão, Todos os cachorros são azuis (7Letras), de Rodrigo de Souza Leão, Duas águas (L&PM), de Luís Augusto Fischer, e Marcelino (Imago), de Godofredo de Oliveira Neto. O mesmo se pode dizer das reuniões de contos Beco da fome (Desiderata), de Orígenes Lessa, A invasão de Mariana e outros relatos fantasiosos (Edição do Autor), de Antonio Silva Michilim Filho (pseudônimo de Antonio Manoel dos Santos Silva), Trocando em miúdos (Record), de Luiz Paulo Faccioli, e As marcas do fogo e outras histórias (7Letras), de Aleilton Fonseca, edição bilíngüe (português/francês) em tradução de Dominique Stoenesco. E, para terminar, os ensaios Dr. Alceu: da persona à pessoa (Paulinas), de Cândido Mendes, Por que ler Oswald de Andrade (Globo), de Maria Augusta Fonseca, Monteiro Lobato livro a livro: obra infantil (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Unesp), org. Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini, Profissão artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras (Edusp), de Ana Paula Cavalcanti Simioni, livro pioneiro em nossa bibliografia de arte, Entre a corte e a cidade: o Rio de Janeiro no tempo do rei (1808-1821) (José Olympio), de Sérgio Barra, Pátria e comércio: negociantes portugueses no Rio de Janeiro joanino (Ouro Sobre Azul), de Isabel Lustosa e Théo Lobarinhas Piñeiro, Vida social no Brasil nos meados do século XIX (Global), de Gilberto Freyre, A história do Brasil de Frei Vicente do Salvador (Versal), org. Maria Lêda Oliveira Alves da Silva, e O escritor e seus intervalos (Ideia), segundo volume do excelente jornal literário de Hildeberto Barbosa Filho, diário íntimo mas antes de tudo diário de leituras, de leitor profissional, intenso e transfigurado. Nesse sentido, lembra o Diário de Paulo Hecker Filho, publicado em 1949 e hoje esquecido.
E é no mínimo pitoresca a paisagem poética brasileira neste primeiro semestre de 2009. Apesar de datado de 2007 e 2008, a reunião Poesia completa e prosa (Nova Aguilar/Massangana) de Joaquim Cardozo, org. Everardo Norões, só chegou às livrarias nos primeiros meses deste ano. Deixa de fora o teatro de Cardozo mas dá especial atenção à prosa desse que é sem favor um dos grandes poetas brasileiros do século XX. Apesar de respeitado por seus pares (sobretudo por seus pares de geração), permanece subestimado em nosso tempo. E assim em boa companhia outros poetas tomam seu lugar na estante: Pequena enciclopédia da noite: poemas escolhidos (Quasi) e O derradeiro Jó (R&F), de Carlos Nejar, Entremilênios (Perspectiva), de Haroldo de Campos, Melhores poemas (Global), de Lindolf Bell, org. Péricles Prade, A máquina das mãos (7Letras), de Ronaldo Costa Fernandes, Lar, (Companhia das Letras), de Armando Freitas Filho (como se pode observar, com vírgula no título), Poesia matemática (Desiderata), de Millôr Fernandes, Exercícios de utopia (Expressão Gráfica), de Francisco Carvalho, Minerar o branco (Arte Paubrasil), de Ronaldo Werneck, Sinais do mar (Cosac Naify), de Ana Maria Machado, Passageira em trânsito (Record), de Marina Colasanti, 50 poemas escolhidos pelo autor (Galo Branco), de Alice Spíndola, A teoria do jardim: poemas (Companhia das Letras), de Dora Ribeiro, Venho de um país selvagem (Topbooks), de Rodrigo Petrônio, Quando todos os acidentes acontecem (7Letras), de Manoel Ricardo de Lima, Terraço das estações (Orobó), de Francisco Orban, Aqui (P55), de Vanessa Buffone, Tempo comum (7Letras), Lucinda Persona, Crack (Meca), de Cláudio Portella, mais as reedições de Livro de sonetos (Companhia das Letras), de Vinicius de Moraes, org. Eucanaã Ferraz, Velório sem defunto (Globo), de Mário Quintana, 13 bilhetes suicidas (Batel), de Cláudio Murilo Leal, e As cores do tempo (Calibán), de Majela Colares. A edição reformulada de Estrela da vida inteira (Nova Fronteira), de Manuel Bandeira, acompanhou a primorosa reedição de Apresentação da poesia brasileira (Cosac Naify), a melhor até hoje realizada desse ensaio modelar acompanhado de antologia e que teve dezenas de edições nos seus mais de 60 anos de existência. Nesse grupo das antologias modelares do período, temos pelo menos mais três indispensáveis: O cangaço na poesia brasileira: uma antologia (Escrituras), org. Carlos Newton Júnior, Livro dos poemas (L&PM), org. Sérgio Faraco, e Antologia poética de tradutores norte-rio-grandenses (Editora da UFRN), org. Nelson Patriota, esta em 2008.
O romance se mantém tradicionalmente aceso, e por vezes bem aceso com Julia e o mago (Record), de Cecília Costa, Yuxin (Companhia das Letras), de Ana Miranda, A misteriosa morte de Miguela Alcazar (Bertrand Brasil), de Lourenço Cazarré, Olhos secos (Rocco), de Bernardo Ajzenberg, Bendito assalto (Leitura), de Domingos Pellegrini, O gato diz adeus (Companhia das Letras), de Michel Laub, Pornopopéia (Objetiva), de Reinaldo Moraes (cujo título propositalmente ignora o novo acordo ortográfico), Hotel Novo Mundo (34), de Ivana Arruda Leite, O filho da mãe (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho, O pastor das sombras (Pulsar), de Luís Giffoni, O conto do amor (Companhia das Letras), de Contardo Calligaris, Os Aparados (Record), de Leticia Wierzchowski, Outra vida (Alfaguara), de Rodrigo Lacerda, O juramento (Arx), de Miguel Reale Júnior, Leite derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque, aos quais podemos acrescentar o quase-romance travestido de memórias Coração andarilho (Record), de Nélida Piñon. Há muitos outros autores, revelados por prêmios literários ou já firmados no segundo ou terceiro livro: Delacroix escapa das chamas: um romance em 4 tempos (Record), de Edson Aran, O sétimo selo (Record), de José Rodrigues dos Santos, Elza, a garota (Nova Fronteira), de Sérgio Rodrigues, A arte (Escrituras), de João Rodrigues Fontes, Peixe morto (Autêntica), de Marcus Freitas, O arroz de Palma (Record), de Francisco Azevedo, Suíte dama da noite (Record), de Manoela Sawitzki, Os anões (7Letras), de Luís André Nepomuceno, Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos: duas novelas (Record), de Ana Paula Maia, Amor e tempestade (Summa), de Thales Guaracy, Mundos de Eufrásia (Record), de Claudia Lage, Pivetim (SM), de Délcio Teobaldo, Nosso grão mais fino (Alfaguara), de José Luiz Passos, Fantasma (7Letras), de Francisco Slade, O momento mágico (Record), de Marcio Ribeiro Leite, e Areia nos dentes (Não), de Antônio Xerxenesky.
Cabem aqui algumas reedições importantes – de O marido da adúltera (ABL), de Lúcio de Mendonça, A estrela sobe (José Olympio), de Marques Rebelo, Olha para o céu, Frederico! (José Olympio), de José Cândido de Carvalho, O senhor embaixador (Companhia das Letras), de Erico Verissimo, Um romance de geração (Companhia das Letras), de Sérgio Sant’Anna, Informação ao crucificado (Alfaguara), de Carlos Heitor Cony, Esta noite ou nunca (Global), de Marcos Rey, Partilha de sombra (Leitura), de Walmir Ayala, As meninas (Companhia das Letras), de Lygia Fagundes Telles, Os pastores da noite (Companhia das Letras) e Tieta do agreste (Companhia das Letras), de Jorge Amado, O brasileiro voador (Record), de Márcio Souza, O sorriso do lagarto (Alfaguara), de João Ubaldo Ribeiro, Major Calabar (José Olympio), de João Felício dos Santos, O pêndulo do relógio e outras histórias de Pau-d’Arco (Amarilys), de Charles Kiefer, e Desabrigo e outras narrativas (José Olympio), de Antônio Fraga, org. Maria Célia Barbosa Reis da Silva, que inclui reportagem histórica da revista Istoé, escrita por Maria Amélia Mello, que em 1978 visitou o autor em Queimados, subúrbio do Rio, e concluiu que “nem as mais abertas inteligências literárias se sentiam, na verdade, à vontade em conviver com a irreverência verbal de Antônio Fraga”.
Clássicos do conto também são agora reeditados, a exemplo de Contos em verso (Martins Fontes), de Artur Azevedo, org. Flávio Aguiar, Onze contos (Confraria dos Bibliófilos do Brasil), de Monteiro Lobato, Novelas nada exemplares (Record) e Cemitério de elefantes (Record), de Dalton Trevisan, A mãe e o filho da mãe & A máquina de fazer amor (Leitura), de Wander Piroli, Antes do baile verde (Companhia das Letras), de Lygia Fagundes Telles, e das antologias Melhores contos (Global), de Salim Miguel, org. Regina Dalcastagnè, Contos (Nova Alexandria), de Domingos Pellegrini,Os melhores contos brasileiros de todos os tempos (Nova Fronteira), org. Flávio Moreira da Costa, e O conto regionalista (WMF Martins Fontes), org. Luiz Gonzaga Marchezan. Entre veteranos, novos e novíssimos, a safra do conto é igualmente boa e assume eventualmente formas híbridas, por vezes próximas da novela ou da prosa poética e até da crônica, à maneira de Trevisan e Piroli, primordialmente realistas, ou à Clarice Lispector, mais centrada nos conflitos íntimos. São dois segmentos predominantes, mas grande parte da prosa curta contemporânea segue outras veredas, à espera de seus intérpretes críticos: Cine privê (Companhia das Letras), de Antonio Carlos Viana, Meu amor (34), de Beatriz Bracher, A cidade ilhada (Companhia das Letras), de Milton Hatoum, Contos hediondos (Demônio Negro), de Glauco Mattoso, Era outra vez (Companhia das Letras), de Livia Garcia-Roza, Mentiras do Rio (Record), de Sergio Leo, Inverdades (7Letras), de André Sant’Anna, Eu perguntei pro velho se ele queria morrer e outras estórias de amor (7Letras), de José Rezende Jr., Senhor Krause (Revan), de Alberto Lins Caldas, Ao longo da linha amarela (P55), de João Filho, 3 vestidos e meu corpo nu (P55), de Marcus Vinícius Rodrigues, O sol que a chuva apagou (P55), de Állex Leilla, As receitas de Mme. Castro (P55), de Aninha Franco, Para uma certa Nina (P55), de Adelice Souza, Vestígios da Senhorita B. (P55), de Renata Belmonte, Três contos ilusionistas (7Letras), de Daniela Beccaccia Versiani, Abismo poente (Ficções), de Whisner Fraga, e Liturgia do sangue (Leitura), de ReNato Bittencourt Gomes (com o simbolismo gráfico), apresentado por Moacyr Scliar como “obra de um escritor que já tem seu lugar garantido na nova literatura brasileira”. De fato, portador de uma estranheza e de uma áspera inquietação existencial, ReNato Bittencourt Gomes escreve nas franjas do mítico, com um lirismo, um barroquismo e um simbolismo à Jorge de Lima (o prosador mítico de A mulher obscura), Clarice Lispector ou Raduan Nassar. É desses autores que trabalham o texto naquele hemisfério em que as classificações de gênero não passam de rótulos ou selos comerciais. Nos longes da paisagem humana, traduzem a dor (e a torturante beleza) de viver em franco convívio com o sagrado e o demoníaco. Excêntricos manipuladores de matéria autobiográfica, revelam-se febrilmente e numa língua literária de forte plasticidade.
No ensaio, predomina o alto nível de excelência, principalmente com Cinzas do espólio (Record), de Ivan Junqueira, O controle do imaginário & a afirmação do romance: Dom Quixote, As relações perigosas, Moll Flanders, Tristram Shandy (Companhia das Letras), de Luiz Costa Lima, e Lição de Kafka (Companhia das Letras), de Modesto Carone, seguidos de A Academia Brasileira de Letras: subsídios para sua história (1940-2008) (ABL), org. José Murilo de Carvalho, Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras (Ateliê), de Ubiratan Machado, Ensaio sobre o jardim (Global), de Solange Aragão, O leitor apaixonado: prazeres à luz do abajur (Companhia das Letras), de Ruy Castro, org. Heloísa Seixas, No mundo dos livros (Agir), de José Mindlin, A escola e a letra (Boitempo), org. Flávio Aguiar e Og Doria, Nefelomancias: ensaios sobre as artes dos romantismos (Perspectiva), de Ricardo Marques de Azevedo, Estado crítico: à deriva nas cidades (Publifolha), de Guilherme Wisnik, O destino do jornal (Record), de Lourival Holanda, O crime do restaurante chinês: carnaval, futebol e justiça na São Paulo dos anos 30 (Companhia das Letras), de Boris Fausto, Ética, jornalismo e nova mídia (Jorge Zahar), de Caio Túlio Costa, A imprensa e o dever da liberdade (Contexto), de Eugênio Bucci, Seleção natural: ensaios de cultura e política (Publifolha), de Otávio Frias Filho, O projeto do Renascimento (Zahar), de Elisa Byington, A inocência de pensar (Escrituras), de Floriano Martins, Literatura da urgência: Lima Barreto no domínio da loucura (Annablume), de Luciana Hildalgo, Branco sobre branco (Ateliê), de Guilherme Zarvos, Olga Savary: erotismo e paixão (Ateliê), de Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo, Os idiomas da esfinge: ensaios heterodoxos e outras leituras (Ideia), de Hildeberto Barbosa Filho, sem esquecer um livro inusitado, instaurador de códigos novos: Meu Destino é ser Onça (Record), de Alberto Mussa, “mito tupinambá restaurado por Alberto Mussa”, segundo o próprio. E, em tom mais biográfico do que propriamente crítico, Empréstimo de ouro: cartas de Machado de Assis a Mário de Alencar (Ouro Sobre Azul), org. Eduardo F. Coutinho e Teresa Cristina Meireles de Oliveira, Pio e Mário: diálogos da vida inteira (Sesc SP/Ouro Sobre Azul), de Mário de Andrade e Pio Lourenço Corrêa, Eles foram para Petrópolis: uma correspondência virtual na virada do século (Companhia das Letras), de Ivan Lessa e Mário Sérgio Conti, Blablablogue: crônicas & confissões (Terracota), org. Nelson de Oliveira, Para sempre teu, Caio F.: cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu (Record), de Paula Dip, O culto da saudade na casa de Eudoro Corrêa (Expressão Gráfica), de Regina Cláudia Oliveira da Silva, que lembra os 50 anos da morte de Gustavo Barroso, o opúsculo Posse no Pen Clube do Brasil, de Teresa Cristina Meireles de Oliveira, discurso de posse da autora (na referida casa) e discurso de recepção pronunciado por Alberto da Costa e Silva, e a nova edição de Memórias– A menina sem estrela (Agir), de Nelson Rodrigues. E este parágrafo estaria incompleto sem a notícia de duas reedições:Três panfletários do Segundo Reinado (ABL), de R. Magalhães Júnior, e Frases feitas (ABL), de João Ribeiro.
No que concerne à crônica, a frequência editorial não arrefeceu: Melhores crônicas (Global), de João do Rio, org. Edmundo Bouças e Fred Góes, Melhores crônicas (Global), de Coelho Neto, org. Ubiratan Machado, 50 crônicas escolhidas (BestBolso), de Rubem Braga, O Pasquim: edição comemorativa 40 anos! (Desiderata), de Millôr Fernandes e outros, O desenho da vida (Calibán), de Walmir Ayala, Crônicas da vida e da morte (Rocco), de Roberto DaMatta, Passe de letra (Rocco), de Flávio Carneiro, com as reedições de Cinematógrafo (ABL), de João do Rio, com prefácio de Lêdo Ivo, América (Globo) e Literatura do minarete (Globo), de Monteiro Lobato, e Garoto linha dura (Agir), de Stanislaw Ponte Preta. Destaque especial para as Crônicas inéditas 2 (Cosac Naify), de Manuel Bandeira, org. Júlio Castañon Guimarães – 14 anos de atividade do cronista, de 1930 a 1944, em que preponderou a face do Bandeira crítico de arte. Nesse âmbito da crítica de arte exercida por poetas (uma tradição que começa em Gonzaga Duque e passa por Mário de Andrade, Sérgio Milliet, Joaquim Cardozo, Lêdo Ivo...), devemos incluir O quadrado amarelo (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), de Alberto da Costa e Silva, que contém matéria sobre arte, e Maria Leontina: pintura sussurro (Arauco), co-autoria de, entre outros, Lélia Coelho Frota, Ferreira Gullar e Walmir Ayala. E nas artes plásticas propriamente ditas, Espelho diário (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Edusp/Editora UFMG), de Rosângela Rennó e Alícia Duarte Penna, é livro que não deixa de apresentar seus componentes literários.
A dramaturgia tem aqui pelo menos três representantes de peso: A pele do lobo e outras peças curtas (Hedra) e Melhor teatro (Global), de Artur Azevedo, Doce deleite (Record), de Alcione Araújo, e Teatro completo (Agir), de Caio Fernando Abreu, org. Luís Artur Nunes e Marcos Breda. Para o final ficaram alguns livros de gênero indefinido: Dicionário amoroso da língua portuguesa (Casa da Palavra), org. Jorge Reis-Sá e Marcelo Moutinho, Dicionário de citações da ficção de Carlos Nejar (Batel/ABL), org. Paulo Roberto do Carmo, contando ainda com a reedição de Obra imatura (Agir), de Mário de Andrade, coletânea de três em um, ou seja, Há uma gota de sangue em cada poema, Primeiro andar e A escrava que não é Isaura – respectivamente poesia, ficção e ensaio. E assim termina este breve sumário do presente literário e editorial.
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André Seffrin é crítico e ensaísta. Atuou em jornais e revistas (Jornal do Brasil, O Globo, Manchete, Última Hora, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, EntreLivros etc.), escreveu dezenas de apresentações e prefácios para edições de autores brasileiros e organizou cerca de quinze livros, entre os quais Inácio, O enfeitiçado e Baltazar de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2002), Contos e novelas reunidos de Samuel Rawet (Civilização Brasileira, 2004), Melhores poemas de Alberto da Costa e Silva (Global, 2007) e Poesia completa e prosa de Manuel Bandeira (Nova Aguilar, 2009).