3 poemas de
Danilo Bueno





Escárnio e eco consanguíneo
Transversal entre equívoco e fidúcia
Autômato do siso malabar em desuso
Eu me pronuncio donde respiro
Aceno ocioso o insulto
Atento ante o próximo segundo
Incisivo das mãos que trincham
                             O corvo definitivo
E do pó ao Sol e ao sono construo
Este esmero esta coleção de nuvens
Como um artefato um libelo o dia útil
               Desse tempo esse lugar meu vestígio












Um tostão nos dura um mês
Um punhado chega a seis

Da fartura desta ninharia
Ergui ciosa ceia e grei

Um tostão e vou além
Um punhado e virei rei

A balbúrdia a carranca
A usura a deletéria grei

Um tostão e eu nem sei
Um punhado e até outra vez

Não há ocasião no dia
Em que tudo não seja grei












De volta a glossolalia diária
E a parafernália das linhas
A loquaz maledicência faísca
São farpas que saem dessa língua
Milionárias flores sovinas
Ressacas vívidas de meio-dia
O sangue agita a própria fisga
Do ilibado silêncio, qual política
        Desviro a casaca dessa lira
Sou apenas lábios e acídia
Mão, não mais carícia
Rusga e cisma, nó e íngua
Para descrer todo o enigma
Becas e lobistas propinam
Vangloriados vates de velharias
A cambada rés-do-chão saliva
O limite óbvio da estultícia
       É este dente que não cura e grita
       É este fósforo ao vento, a sigla
Contra o corpo acorda a cobiça
Insídia que todo Sol rapina

        De volta a glossolalia diária
E a parafernália das linhas
O sangue agita a própria fisga
São farpas que saem dessa língua





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Danilo Bueno nasceu em Mauá, São Paulo em 1979. Publicou a plaquete Fotografias (Alpharrabio Edições, 2001) e os livros: crivo (Alpharrabio Edições e Fundo de Cultura do Município de Mauá, 2004) e Corpo sucessivo (Oficina Raquel, 2008).

 


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 7 - teresina - piauí - outubro/novembro/dezembro de 2010]
 
 

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