O ano literário: 2009, segundo semestre

André Seffrin




Este complemento da matéria anterior (dEsEnrEdos n. 5, abril/maio/junho 2010) obrigatoriamente deve começar pelas publicações em torno do centenário de morte de Euclides da Cunha, isto é, pela Obra Completa (Nova Aguilar/ABL), organização de Paulo Roberto Pereira, em dois volumes, assim como por uma das muitas novas edições de Os Sertões (Ediouro), acompanhada de encarte fotográfico. É bibliografia, contudo, muito mais extensa do que se pode supor, e a qual devemos agregar ainda a biografia Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos (Ateliê), de Frederic Amory, os ensaios A Vingança de Hileia: Euclides da Cunha, a Amazônia e a Literatura Moderna (Unesp), de Francisco Foot Hardman, Euclidiana: Ensaios sobre Euclides da Cunha (Companhia das Letras), de Walnice Nogueira Galvão, Euclides da Cunha: Trabalhos Esparsos (ABL), organização de Alberto Venancio Filho, Affonso Arinos de Mello Franco e José Murilo de Carvalho, Euclides da Cunha: Autos do Processo Sobre Sua Morte (Terceiro Nome), organização de Walnice Nogueira Galvão, Matar Para Não Morrer: A Morte de Euclides da Cunha e a Noite Sem Fim de Dilermando de Assis (Objetiva), de Mary Del Priore, Euclides da Cunha: Escritor por Acidente e Repórter do Sertão (Companhia das Letras), de Lúcia Garcia, Euclidianos e Conselheiristas: Um Quarteto de Notáveis (Terceiro Nome), organização de Walnice Nogueira Galvão, transcrição de uma “mesa-redonda reunida na Editora Ática em 1986, com a participação de Antonio Houaiss, Franklin de Oliveira, José Calasans e Oswaldo Galotti”, e o excelente romance O Pêndulo de Euclides (Bertrand Brasil), de Aleilton Fonseca.

Tivemos também a Poesia Reunida de Euclides da Cunha (Unesp), organização de Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman, e, em matéria de poesia, três outras reedições importantes: O Guesa (Annablume/Demônio Negro), de Joaquim de Sousândrade, 150 Anos de Primaveras (ABL/Nitpress), de Casimiro de Abreu, organização de Mário Alves de Oliveira, e Museu de Tudo (Alfaguara), de João Cabral de Melo Neto, aos quais é preciso acrescentar Poemas Coronários (Globo), de Cyro dos Anjos, e Vida Apertada: Sonetos Humorísticos (Nitpress), do esquecido Luiz Leitão. Mas na paisagem poética predominaram sobretudo  os contemporâneos: Sob o Céu de Samarcanda (Bertrand Brasil/Fundação Biblioteca Nacional), de Ruy Espinheira Filho, Agendário de Sombras: Sonetos (Realce), de Jorge Tufic, As Desaparições (G. Ermakoff), de Alexei Bueno, Monodrama (Cosacnaify/7Letras), de Carlito Azevedo, Do Que Ainda (Contra Capa), de Júlio Castañon Guimarães, Lodo (Ateliê), de Luís Dolhnikoff, O Lento Aprendizado do Rapaz que Amava Ondas e Estrelas (7Letras), de Davino Ribeiro de Sena, Vi Uma Foto de Anna Akhmátova (Fundação de Cultura Cidade do Recife), de Fernando Monteiro, Estúdio (7Letras), de Janice Caiafa, Vozes do Mar (Galo Branco), de Emil de Castro, Soneto Antigo (Thesaurus), de Anderson Braga Horta, A Quarta Cruz (Topbooks), de Weydson Barros Leal, Um a Menos (7Letras), de Heitor Ferraz Mello, Quatro Cantos do Caos (Demônio Negro), de E. M. de Melo e Castro, Sons: Arranjo: Garganta (Cosacnaify/7Letras), de Ricardo Domeneck, Mapoteca (Cosacnaify/7Letras), de Felipe Nepomuceno, Ambiente (Cosacnaify/7Letras), de Walter Gam, Os Acasos Persistentes (7Letras), de Cláudio Neves, Pleno Deserto (Rumi), de Maiara Gouveia, Poética (Record), de Luiz Alberto Moniz Bandeira, colibrilhos&colibreus (Com-Arte), de r. ponts, Coisas no Meio do Caminho (Imprimatur), de Fernanda Oliveira, Vinis Mofados (Língua Geral), de Ramon Mello, Fragmentos de Maria (Editora da Palavra), de Maria Dolores Wanderley, Acima de Tudo a Lua (Ficções), de Karen Éler, Fodaleza.com (Expressão Gráfica), de Cláudio Portella, Balés (Língua Geral), de Bruna Beber, Per Augusto & Machina (Altana), de Romério Rômulo, Quintal do Tempo (Multifoco), de Sergio Luiz Moreira, Cabeça, Tronco e Versos (Editora da Palavra), de Victor Colonna, Outros Azuis (Imprensa Oficial do Paraná), de Sigrid Renaux, Águas de Saquarema (Tupy), de Latuf Isaías Mucci, Lume do Dia (Calibán), de Márcia Chieppe, Espiral (Editora da Palavra), de Luiz Otávio Oliani, e As Filhas de Lilith (Calibán), de Cida Pedrosa com ilustrações de Tereza Costa Rego.

Não faltaram nessa mesma paisagem algumas antologias poéticas editorialmente bem programadas, a exemplo de Nova Reunião: 23 Livros de Poesia (BestBolso), de Carlos Drummond de Andrade, em três volumes, Romances de Cordel (José Olympio), de Ferreira Gullar, edição ilustrada com belas gravuras de Ciro Fernandes, O Livro de Haicais (Globo), de Mário Quintana, organização de Ronald Polito, Poesia Reunida (Novo Século), de Carlos Nejar, em dois volumes, Thiago de Mello: Melhores Poemas (Global), organização de Marcos Frederico Krüger, O Homem e Sua Hora e Outros Poemas (Companhia das Letras), de Mário Faustino, em edição de bolso, Antologia Poética (Topbooks), de Izacyl Guimarães Ferreira, e não poucas antologias que colaboram para a manutenção da vida literária, tais como O Que é Poesia? (Confraria do Vento/Calibán), organização de Edson Cruz, Pastores de Virgílio (Escrituras), organização de Álvaro Alves de Faria, Traçados Diversos: Uma Antologia de Poesia Contemporânea (Scipione), organização de Adilson Miguel, Vertentes: Coletânea de Poemas e Fortuna Crítica (Fivestar), de Elaine Pauvolid, Marcio Carvalho, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso, Haicai (Companhia das Letras), organização de Rodolfo Witzig Guttilla, na série “Boa Companhia”, e os dois novos volumes da série “Roteiro da poesia brasileira”, dirigida por Edla van Steen: Anos 70 (Global), organização de Afonso Henriques Neto, e Anos 2000 (Global), organização de Marco Lucchesi. Entre as reedições, contam-se a terceira de Paranóia (Instituto Moreira Salles), de Roberto Piva, e, em edição revista e ampliada, as traduções de poesia chinesa por Haroldo de Campos em Escritos Sobre Jade (Ateliê), organização de Trajano Vieira. É estante em que cabem igualmente a edição de bolso de Arte de Amar (Calibán), de Ovídio, em tradução livre de Foed Castro Chamma, Fremosos Cantares (Martins Fontes), organização de Lênia Márcia Mongelli, e Fogo Alto: Catulo, Villon, Blake, Rimbaud, Huidobro, Lorca, Ginsberg (Azougue), organização e tradução de Afonso Henriques Neto.

Se não tivemos no período um grande romance, se deram a conhecer alguns de alto nível, a começar por O Albatroz Azul (Nova Fronteira), de João Ubaldo Ribeiro, e Os Espiões (Alfaguara), de Luis Fernando Verissimo, seguidos por Rei do Cheiro (Record), de João Silvério Trevisan, Relato de Prócula (Girafa), de W. J. Solha, O Seminarista (Agir), de Rubem Fonseca, A Minha Alma é Irmã de Deus (Record), de Raimundo Carrero, Moça com Chapéu de Palha (Língua Geral), de Menalton Braff, O Livro dos Mandarins (Alfaguara), de Ricardo Lísias, O Rastro do Jaguar (Leya), de Murilo Carvalho, Estive em Lisboa e Lembrei de Você (Companhia das Letras), de Luiz Ruffato, e A Passagem Tensa dos Corpos (Companhia das Letras), de Carlos de Brito e Mello. O vasto território do romance é, no entanto, dos mais povoados: Corpo a Corpo com o Concreto (Azougue), de Bruno Zeni, As Vozes do Sótão (Cosac & Naify), de Paulo Rodrigues, O Videogame do Rei (Record), de Ricardo Silvestrin, Como Deixei de Ser Deus (Topbooks), de Pedro Maciel, Cartografia da Memória (7Letras), de Emanoel Castro Oliveira, Céu de Origamis (Companhia das Letras), de Luiz Alfredo Garcia-Roza, O Prédio, o Tédio e o Menino Cego (Record), de Santiago Nazarian, O Dia em Que Luca Não Voltou (Companhia das Letras), de Luís Dill, Sr. R (Aeroplano), de Alberto Renault, Abrahão, Sahra e Hagar: Romance Bíblico (Funpec), de Moisés Tractenberg, Mandingas de Mulata Velha na Cidade Nova (Língua Geral), de Nei Lopes, Pontal do Pilar (Leya), de Paulo César Pinheiro, Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), de Edney Silvestre, Anjo de Dor (Devir), de Roberto de Sousa Causo, Reima (Record), de Dau Bastos, O Comando Negro (Globo), de Álvaro Cardoso Gomes, Consolação (Record), de Betty Milan, Immaculada (WMF Martins Fontes), de Ivone C. Benedetti, Um Náufrago que Ri (Record), de Rogério Menezes, O Manto: Ornitomance das Berenices (Record), de Marcia Tiburi, Os Dias da Peste (Tarja), de Fábio Fernandes, Golpe de Ar (Editora 34), de Fábrício Corsaletti, Sinuca Embaixo D´Agua (Companhia das Letras), de Carol Bensimon, Os Lençóis e os Sonhos (Record), Orlando Senna, ...Quero Mais é que se Danem! (Estação Liberdade), de Mario Lorenzi, Soledad no Recife (Boitempo), de Urariano Mota, O Jogo do Resta Um (Letra Azul), de Guina Araújo Ramos, O Pau (Rocco), de Fernanda Young, e O Véu (Primavera Editorial), de Luis Eduardo Matta. O número de reedições, apesar de reduzido, inclui clássicos e contemporâneos: A Guerra Está em Nós (José Olympio), de Marques Rebelo, Farda, Fardão, Camisola de Dormir: Fábula Para Acender uma Esperança (Companhia das Letras) e Seara Vermelha (Companhia das Letras), de Jorge Amado, Caetés (BestBolso), de Graciliano Ramos, Bom Crioulo (Hedra), de Adolfo Caminha, Ciranda de Pedra (Companhia das Letras), de Lygia Fagundes Telles, O Natimorto (Companhia das Letras), de Lourenço Mutarelli, Acqua Toffana (Rocco), de Patrícia Mello, Labirinto (Amarilys), de Jorge Andrade, A Ferro e Fogo (L&PM), de Josué Guimarães (esta em fins de 2008), e Noite (Companhia das Letras), de Erico Verissimo, que teve ainda a edição conjunta, acondicionada em caixa, de O Tempo e o Vento (Companhia das Letras).

Em ficção, diga-se de passagem, surgiram novidades inquietantes: Miguel e os Demônios ou Nas Delícias da Desgraça (Companhia das Letras), de Lourenço Mutarelli, Paulicéia Dilacerada: Monólogo Póstumo Dialogado de Mário de Andrade (Funpec), de Mário Chamie, e Guia Afetivo da Periferia (Aeroplano), de Marcus Vinícius Faustini. E narrativas mais soltas, vertidas em deliberado fluxo de consciência, como A Mulher pela Metade (Calibán), de Patrícia Tenório, e Abismo Poente (Ficções), de Whisner Fraga, já nos territórios fronteiriços em que romance, conto, crônica ou poema convivem em relativa harmonia ou desarmonia, de acordo com o ânimo de cada autor. Como em Violetas e Pavões (Record), de Dalton Trevisan, escritor compulsivamente ousado (e moderno) num gênero, o conto, que continua a angariar adeptos: O Macaco Ornamental (Bertrand Brasil), de Luis Henrique Pellanda, A Boca da Verdade (Record), de Mário Sabino, Tempo de Estórias (Bagaço), de Bartolomeu Correia de Melo, Amostragem Complexa (7Letras), de Simone Campos, O Silêncio das Xícaras (Editora da Palavra), de Helena Ortiz, Uma Ilha Chamada Livro: Contos Mínimos Sobre Ler, Escrever e Contar (Galera/Record), de Heloísa Seixas, Relógio Sem Sol (Iluminuras), de Cadão Volpato, Fábulas Farsas (Opera Prima), de Gil Veloso, Mentiras do Rio (Record), de Sergio Leo, A Mulher que Transou com o Cavalo e Outras Histórias (Língua Geral), de João Ximenes Braga, Uma Rua Sem Vergonha (Record), de Claudio Henrique, Memórias da Sauna Finlandesa (Editora 34), de Marcelo Mirisola, Faróis Estrábicos na Noite (Bertrand Brasil), de Cecília Prada, Uma Tarde Destas (Imprensa Oficial de São Paulo), de José Roberto Melhem, Vícios Ocultos (Bom Texto), de Miriam Mambrini, A Solidão é Espaçosa (Calibán), de Inah Lins de Albuquerque, Matriuska (Iluminuras), de Sidney Rocha, A Sombra Que me Seguia (7Letras), de Adriane Salomão, A Casa dos Outros (7Letras), de Marcílio França Castro, A Casa Deles (Nankin), de Ana Paula Pacheco, Malindrânia: Relatos (Topbooks), de Adriano Espínola, e Colóquio Com Um Leitor Kafkiano (Jovens Escribas), de Nelson Patriota, os três últimos portadores de certa estranheza, cada qual a seu modo e medida, às margens do autor de A metamorfose.

Entre as boas reedições, situam-se as de Os Prisioneiros (Agir) e Lúcia MacCartney (Agir), de Rubem Fonseca, A Noite Escura e Mais Eu (Companhia das Letras) e Seminário dos Ratos (Companhia das Letras), de Lygia Fagundes Telles, O Livro dos Lobos (Companhia das Letras), de Rubens Figueiredo, Nem Todo Canário é Belga (Agir), de Flávio Moreira da Costa, Contos de Amor Rasgados (Record), de Marina Colasanti, e antologias como Amor e Outros Contos (Edelbra), de Luiz Vilela, Contos Antológicos (Nova Alexandria), de Roniwalter Jatobá, Contos Antológicos (Nova Alexandria), de Jorge Miguel Marinho, Futuro Presente: Dezoito Lições Sobre o Futuro (Record), organização de Nelson de Oliveira, Horacio Quiroga: Decálogo do Perfeito Contista (L&PM), organização de Sergio Faraco e Vera Moreira, esta acompanhada dos “comentários” de diversos contistas brasileiros, e, por fim, Risos e Lágrimas e Outros “Causos” de Cornélio Pires (Confraria dos Bibliófilos do Brasil), em tiragem limitada, ilustrada por Natanael Longo de Oliveira, Contos de Arthur Azevedo: Os “Efêmeros” e Inéditos (PUC/Loyola), organização de Mauro Rosso, As Mortes e o Triunfo de Rosalinda (Companhia das Letras), de Jorge Amado, ilustrações de Fernando Vilela, e A Arte de Andar nas Ruas do Rio de Janeiro (Agir), de Rubem Fonseca, conto publicado originalmente em Romance Negro e Outras Histórias (1992) e agora republicado em papel couché e ensaio fotográfico de Zeca Fonseca.

A crônica, gênero que excede as fronteiras da própria definição, parece atrair cada vez mais escritores e editores: Comédias Brasileiras de Verão (Objetiva), de Luis Fernando Verissimo, Crônicas Para Ler na Escola (Objetiva), de Carlos Heitor Cony, Histórias Que os Jornais Não Contam (Agir), de Moacyr Scliar, A Biblioteca no Porão: Livros, Autores e Outros Seres Imaginários (Papirus 7 Mares), de Eustáquio Gomes, Crônicas Brasileiras (Desiderata), de Darcy Ribeiro, O Ciclista da Madrugada e Outras Crônicas (Record), de Arnaldo Bloch, Adulterado (Moderna), de Antonio Prata, Você é Jovem, Velho ou Dinossauro? – Descubra com Este Livro (Global), de Ignácio de Loyola Brandão, Crônicas da Mooca (Boitempo), de Mino Carta, De Malas Prontas (Companhia das Letras), de Danuza Leão, Há Controvércias 1: 1987-2003 (Arte Paubrasil), de Ronaldo Werneck, sem ignorar os clássicos – Não Tenho Culpa Que a Vida Seja Como Ela é (Agir), de Nelson Rodrigues, Josué Montello: Melhores Crônicas (Global/ABL), organização de Flávia Amparo, Humberto de Campos: Melhores Crônicas (Global/ABL), organização de Gilberto Araújo, Para Uma Menina Com Uma Flor (Companhia das Letras), de Vinicius de Moraes, 36 Crônicas de Rubem Braga (Confraria dos Bibliófilos do Brasil), ilustradas por Millôr, e a reedição de Boca de Luar (Record), de Carlos Drummond de Andrade. Enquanto isso, Clarice na Cabeceira (Rocco), organização de Teresa Montero, e Amor em Texto, Amor em Contexto: Um Diálogo Entre Escritores (Papirus 7 Mares), de Ana Maria Machado e Moacyr Scliar, integram a estante das crônicas afetivas, assim como na das crônicas autobiográficas cabem livros tão diversos quanto Escolhas: Uma Autobiografia Intelectual (Língua Geral), de Heloísa Buarque de Hollanda, Hélio Oiticica (Azougue), organização de César Oiticica Filho, Sergio Cohn e Ingrid Vieira, Prefácios e Entrevistas (Globo), de Monteiro Lobato, Dossiê Gabeira: O Filme que Nunca foi Feito (Globo), de Geneton Moraes Neto, Os Dentes do Dragão (Globo), de Oswald de Andrade, organização de Maria Eugênia Boaventura, Disso Eu me Lembro (Funpec), de Omar Garcia Barbosa, e a reedição de Testemunho (Apicuri/UNB), de Darcy Ribeiro. Nesse contexto imprimiram-se ainda Vão-se os Dias e Eu Fico: Memórias e Evocações (Ateliê), de Edson Nery da Fonseca, e a fotobiografia de Marcos Vinicios Vilaça Singular e Plural (Casa da Palavra), texto de Luciano Trigo e outros.

Em dramaturgia, além dos vários títulos da série “Aplauso”, publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo, encontramos peças como O Língua-Solta (Réptil), de Miriam Halfim, As centenárias & Maria do Caritó (Terceiro Nome), de Newton Moreno, Uma Noite em Cinco Atos (Editora 34), de Alberto Martins, Quem é Letícia? (Fundação de Cultura Cidade do Recife), de Pedro Franco, e livros de referência como Teatro Contemporâneo no Brasil (7Letras), de José da Costa, A Arte de Representar: Aulas de Anatol Rosenfeld (Publifolha), Uma Empresa e Seus Segredos: Companhia Maria Della Costa (Perspectiva), de Tânia Brandão, a reedição de Dicionário de Teatro (L&PM), de Luiz Paulo Vasconcellos, e a segunda edição, revista e ampliada, do fundamental Dicionário do Teatro Brasileiro: Temas, Formas e Conceitos (Perspectiva), coordenação de J. Guinsburg, João Roberto Faria e Mariangela Alves de Lima.

No ensaio literário, os títulos de maior importância são inegavelmente O Ajudante de Mentiroso (ABL/Educam), de Lêdo Ivo, e A Clave do Poético (Companhia das Letras), de Benedito Nunes, obras de ensaístas extraordinários, seja pelo tempo de serviço, pela importância do legado e, obviamente, pelo alcance do recado para futuras gerações. E não ficamos aí: Ficções de Um Gabinete Ocidental: Ensaios de História e Literatura (Civilização Brasileira), de Marco Lucchesi, à Luz das Narrativas: Escritos Sobre Obras e Autores (Editora da Universidade Federal da Bahia), de Carlos Ribeiro, A Preparação do Escritor (Iluminuras), de Raimundo Carrero, O Percurso das Personagens de Clarice Lispector (Garamond), de Bernadete Grob-Lima, Do Traje ao Ultraje: Uma Análise da Indumentária e do Sistema de Objetos em Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso (Cesmac/Edufal), de Enaura Quixabeira Rosa e Silva, Passagem de Calabar: Uma Análise do Poema Dramático de Lêdo Ivo (ABL/Topbooks), de Leila Mícollis, A Crônica de Benjamin Costallat e a Aceleração da Vida Moderna (Casa 12), de Andréa Portolomeos, João do Rio e o Palco (Edusp), organização de Niobe Abreu Peixoto, Construções Identitárias na Obra de João Ubaldo Ribeiro (Hucitec), de Rita Olivieri-Godet, Carlos Nejar: Poeta da Condição Humana (Gramma), organização de João Ricardo Moderno, Mário Quintana: Cadernos de Literatura Brasileira (Instituto Moreira Salles), de Antonio Hohlfeldt e outros, Ismael Nery e Murilo Mendes: Reflexos (Editora da Universidade Federal de Juiz de Fora), de Leila Maria Fonseca Barbosa e Marisa Timponi Pereira Rodrigues, Musa Fragmentada: A Poética de Carlos Pena Filho (Editora da Universidade Federal de Pernambuco), de Luiz Carlos Monteiro, Inteligência com Dor – Nelson Rodrigues Ensaísta (Arquipélago), de Luís Augusto Fischer, O Sermão do Viaduto de Álvaro Alves de Faria (Escrituras), de Aline Bernar, Contramargem II: Estudos de Literatura (Kelps/Universidade Católica de Goiás), de Gilberto Mendonça Teles, Palavra e Sombra: Ensaios de Crítica (Ateliê), de Arthur Nestrovski, O Poliedro da Crítica (Calibán) e O Núcleo e a Periferia de Machado de Assis (Amarilys), de Fábio Lucas, Machado de Assis e a Crítica Internacional (Unesp), organização de Benedito Antunes e Sérgio Vicente Motta, Machado de Assis: Presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), de Alberto Venancio Filho, Joaquim Serra/José Bonifácio, o Moço: Bibliografia dos Patronos (ABL), de Israel Souza Lima, Maranhão-Manhattan: Ensaios de Literatura Brasileira (7Letras), de Marília Librandi Rocha, Gérard de Nerval: A Escrita em Trânsito (Ateliê), de Marta Kawano, O Século de Borges (Autêntica), de Eneida Maria de Souza, e Medidas & Circunstâncias: Cervantes, Padre Vieira, Unamuno, Euclides e Outros (Ateliê), de Cláudio Aguiar, que circulou em 2009 com data de 2008. Sem esquecer as recentíssimas reedições de Exercícios de Leitura (Duas Cidades/Editora 34), de Gilda de Mello e Souza, e O Dorso do Tigre (Editora 34), de Benedito Nunes.

Na crítica de arte, equilibraram-se levantamentos históricos e assuntos da ordem do dia: A Grande Feira: Uma Reação ao Vale-Tudo na Arte Contemporânea (Civilização Brasileira), de Luciano Trigo, A Experiência Rex (Alameda), de Fernanda Lopes, Luis Martins: Um Cronista de Arte em São Paulo nos Anos 1940 (Museu de Arte Moderna de São Paulo), organização de Ana Luisa Martins e José Armando Pereira da Silva, e Paisagem e Academia: Félix-Émile Taunay e o Brasil – 1824-1851 (Unicamp), de Elaine Dias. E, em edições de esmerado cuidado gráfico, figuram Roupa de Artista – O Vestuário na Obra de Arte (Edusp/Imprensa Oficial de São Paulo), de Cacilda Teixeira da Costa, Vik Muniz: Obra Completa – 1987-2009 (Capivara), organização de Pedro Corrêa do Lago, e Ziraldo em Cartaz (Senac Rio), de Ricardo Leite, coordenação de Ana Maria Santeiro.

O número de ensaios históricos, antropológicos, filosóficos e similares, é muito extenso, começando pela edição fac-similar (da edição de 1641) da Oração Apodíctica aos Cismáticos da Pátria (Fundação Biblioteca Nacional), de Diogo Gomes Carneiro (“obra escrita no fervor da restauração bragantina, com frases de vigor, esmaltadas num fundo épico, por vezes altissonante”, de acordo com o prefaciador Marco Lucchesi) e pela Correspondência de Machado de Assis: Tomo II – 1870-1889 (ABL), coordenação de Sergio Paulo Rouanet, organização de Irene Moutinho e Sílvia Eleutério, a que se somam os dois primeiros volumes que reúnem a obra filosófica de Vicente Ferreira da Silva, Lógica Simbólica e Dialética das Consciências (É Realizações), organização de Rodrigo Petronio, Raymundo Faoro e o Brasil (Fundação Perseu Abramo), organização de Juarez Guimarães, O Homem do Povo: Coleção Completa e Fac-Similar do Jornal Criado e Dirigido por Oswald de Andrade e Patrícia Galvão (Globo/Imprensa Oficial de São Paulo), Repensando o Brasil do Oitocentos (Civilização Brasileira), organização de José Murilo de Carvalho e Lúcia Bastos Pereira das Neves, História e Literatura: Ensaios Para Uma História das Idéias no Brasil (Perspectiva), de Francisco Iglésias, Impresso no Brasil-1808-1930: Destaques da História Gráfica no Acervo da Biblioteca Nacional (Verso Brasil), organização de Rafael Cardoso, Um Enigma Chamado Brasil: 29 Intérpretes e Um País (Companhia das Letras), organização de André Botello e Lilia Moritz Schwarcz, Mão e Contramão e Outros Ensaios Contemporâneos (Globo), organização de Paula Montero e Álvaro Comin, Contestado: A Guerra dos Equívocos/O Poder da Fé (Record), de Walmor Santos, História da Amazônia (Valer), de Márcio Souza, Ética e Cidadania Planetárias na Era da Tecnologia (Civilização Brasileira), de Marijane Lisboa, Contemporaneidades (Lazuli), de Olgária Matos, As Armadilhas do Saber (Edusp), de Cleusa Rios P. Passos, Cultura com Aspas (Cosacnaify), de Manuela Carneiro da Cunha, Uma Gota de Sangue: História do Pensamento Racial (Contexto), de Demétrio Magnoli, Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina (Global), de Florestan Fernandes, A história na América Latina (Fundação Getúlio Vargas), de Jurandir Malerba, A Rotativa Parou! – Os Últimos Dias da Última Hora de Samuel Wainer (Civilização Brasileira), de Benicio Medeiros, Samba de Enredo: História e Arte (Civilização Brasileira), de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas, Os Ciganos Ainda Estão na Estrada (Rocco), de Cristina da Costa Pereira, Instituições Educacionais da Cidade do Rio de Janeiro (Faperj/Mauad), organização de Miriam Waidenfeld Chaves e Sonia de Castro Lopes, A Música Popular que Surge na Era da Revolução (Editora 34), de José Ramos Tinhorão, Outras Notas Musicais: Da Idade Média à Música Popular Brasileira (Publifolha), de Arthur Nestrovski, O Império por Escrito: Formas de Transmissão da Cultura Letrada no Mundo Ibérico – Séculos XVI-XIX (Alameda), organização de Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani, Histórias de Pessoas e Lugares: Memórias das Comunidades de Manguinhos (Fiocruz), organização de Tania Maria Fernandes e Renato Gama-Rosa Costa, Diário de Fernando: Nos Cárceres da Ditadura Militar Brasileira (Rocco), de Frei Betto, Cabeza de Vaca (Companhia das Letras), de Paulo Markun, Rua da Praia (Instituto Estadual do Livro-RS/Editora da Cidade), de Nilo Ruschel, Mundobraz: O Devir-Mundo do Brasil e o Devir-Brasil do Mundo (Record), de Giuseppe Cocco, Fernand Braudel e o Brasil (Edusp), de Luís Corrêa Lima, As Duas Espanhas e o Brasil (Topbooks), de Tarcísio Costa, Do Pensamento no Deserto: Ensaios de Filosofia, Teologia e Literatura (Edusp), de Luiz Felipe Pondé, O Pai dos Burros: Dicionário de Lugares-Comuns e Frases Feitas (Arquipélago), de Humberto Werneck, Nova Ortografia da Língua Portuguesa (Record), de Domício Proença Filho, e Cartas de Erasmo (ABL), de José de Alencar, organização de José Murilo de Carvalho, mais as reedições de Formação Econômica do Brasil (Companhia das Letras), de Celso Furtado, Sociologia: Introdução ao Estudo de Seus Princípios (É Realizações), de Gilberto Freyre, Cinema Brasileiro: Propostas Para Uma História (Companhia das Letras), de Jean-Claude Bernadet, Do Modernismo à Bossa Nova (Ateliê), de Jomard Muniz de Britto, Estado e Planejamento Econômico no Brasil (UFRJ), de Octávio Ianni, e Fala, Crioulo (Record), de Haroldo Costa.

Os ensaios biográficos exigem parágrafo à parte: João do Rio (ABL), de Lêdo Ivo, Artur Azevedo (ABL), de Sábato Magaldi, Oswaldo Cruz (ABL), de Moacyr Scliar, Peregrino Júnior (ABL), de Arnaldo Niskier, Gustavo Barroso (ABL), de Elvia Bezerra, Laurindo Rabelo (ABL), de Fábio Frohwein de Salles Moniz, Afonso Arinos de Melo Franco (ABL), de Afonso Arinos, filho, Rodolfo Garcia (ABL), de Maria Celeste Garcia, Pedro Rabelo (ABL), de Ubiratan Machado, Antônio Houaiss (ABL), de Afonso Arinos, filho, este último com seleção de textos e bibliografia de Mauro Villar – todos na chamada Série Essencial da Academia Brasileira de Letras, sem esquecer Clarice, (Cosacnaify), de Benjamin Moser (com a moda da vírgula no título), Bendito Maldito: Uma Biografia de Plínio Marcos (Leya), de Oswaldo Mendes, D. Pedro II e seu Reino Tropical (Companhia das Letras), de Lilia Moritz Schwarcz, Chiquinha Gonzaga: Uma História de Vida (Instituto Moreira Salles/Zahar), de Edinha Diniz, Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras), de Lira Neto, Abdias do Nascimento (Selo Negro), de Sandra Almada, e José do Patrocínio: A Imorredoura Cor do Bronze (Garamond/Fundação Biblioteca Nacional), de Uelinton Farias Alves.

Uma lista que sem dúvida não termina aqui, considerando-se que cerca da metade dos livros citados teve pouca ou nenhuma atenção de nossa imprensa especializada.


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André Seffrin é crítico e ensaísta. Atuou em jornais e revistas (Jornal do Brasil, O Globo, Manchete, Última Hora, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil, EntreLivros etc.), escreveu dezenas de apresentações e prefácios para edições de autores brasileiros e organizou cerca de quinze livros, entre os quais Inácio, O enfeitiçado e Baltazar de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2002), Contos e novelas reunidos de Samuel Rawet (Civilização Brasileira, 2004), Melhores poemas de Alberto da Costa e Silva (Global, 2007) e Poesia completa e prosa de Manuel Bandeira (Nova Aguilar, 2009).


[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 6 - teresina - piauí - julho/agosto/setembro de 2010]
 
 

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