Saber e/o Sabor:
A imagem do alimento na literatura para crianças

Daniela Bunn[1]








RESUMO

Este texto aborda o uso da metáfora e da imagem alimentar na crítica literária e na literatura voltada para a infância. Baseado em alguns pressupostos de Deleuze, percorre dois momentos: o primeiro faz uma breve análise da ocorrência e do uso da metáfora alimentar partindo da sociologia do alimento, passando por Câmara Cascudo e Flandrin & Montanari; o segundo momento costura fragmentos de críticas e de textos literários de autores brasileiros e italianos (como Cecília Meireles e Gianni Rodari), nos quais o alimento aparece como uma imagem potencializada em palavras.
Palavras-chave: crítica literária; literatura; alimento.



ABSTRACT

This article approaches the use of metaphor and food image in literary criticism and in children's literature. It is based on pressupositions of Deleuze, and it has two moments: the first one makes a brief analysis of the occurrence and the use of food metaphor founded on sociology of food, passing by Camara Cascudo and Flandrin & Montanari; the second one sews critical fragments and literary texts of brazilian and italian authors as Cecília Meireles and Gianni Rodari, in which food appears as an image with potentiality in works.
Keywords: literary criticism; literature; food.



Quando penso na relação saber e sabor, explicitada no título deste artigo, penso no prazer do texto, penso em Barthes, penso em Gianni Rodari. Quando me refiro à expressão saber o sabor (do texto literário) penso numa relação rizomática, com múltiplas entradas e saídas, entre professor-literatura-aluno, relação na qual a temática do alimento tem uma importante função de aproximação. Para que esta relação seja eficaz, é preciso que o professor conheça e tenha experimentado o sabor da literatura para que possa mergulhar o aluno de forma envolvente no mundo da escrita, da leitura ou da contação de histórias. Eis o grande desafio: entrelaçar saber e  sabor. Para tanto, este profissional deve estar bem informado e ter bons critérios para garantir uma refeição nutritiva aos seus alunos começando pela leitura e seleção dos ingredientes. Como bem lembra Cyana Leahy-Dios, no livro Signos Brasileiros de Educação Literária (2000), o quadro atual da educação mostra professores de literatura arrumando em uma bandeija didática a refeição pouco nutritiva imposta em sua formação e preparada pelo livro didático. Carmem Alberton já assinalava, em Uma dieta para crianças: livros (1980), que a leitura restrita a livros escolhidos pelo adulto e apresentados sobre forma de tarefa escolar transformava-se em um trabalho penoso e limitativo ao ser imposto pela escola.
 
Di Santo (2007) traça um paralelo entre a maçã da Branca de Neve e a aprendizagem. A maçã, embora com uma aparência apetitosa, deixou a heroína num sono profundo, da mesma forma, se for oferecido ao aluno um conhecimento descontextualizado, que não desperte sua curiosidade e vontade de aprender, ele permanecerá desligado: “se aprender é como se alimentar [e se a maçã for apetitosa], tanto o educando quanto o educador se alimentam/aprendem” (2007: 4). O professor, segundo Di Santo, deve estimular o apetite do aluno, pois mesmo quando não estamos com fome sentimos vontade de comer ao vermos algo que nos estimula.

Na busca por textos alternativos, este artigo visita histórias clássicas e contemporâneas no intuito de sensibilizar o olhar para o campo semântico do alimento e do ato de comer disponibilizando um cárdapio variado com textos literários e também críticos que de forma lúdica e muitas vezes surreal atiçam o paladar do leitor. É importante para a compreensão deste texto distiguir imagem e metáfora.  Quando utilizo o termo metáfora alimentar, refiro-me aos textos críticos que procuram criar uma dualidade de significado ou uma equivalência figurada ao comparar, por exemplo, o ensino ou a própria literatura ao alimento (como fez Di Santo). O termo metáfora parece apropriado para estabelecer certas analogias sendo que nos alimentamos também da leitura, devoramos livros quando estamos com fome, salivamos ao ler a descrição de uma cena, podemos até sentir o cheiro das gostosuras da Dona Benta. Quando penso na palavra imagem, penso em Deleuze. As imagens agem e reagem, relacionam-se, encadeiam-se, criam rizomas. Penso numa imagem que é sempre dupla. No livro infantil, a imagem posta e a imagem visionada. Importante ressaltar que ao falar em imagem não me refiro (ao menos neste texto não será explorado) à ilustração e sim à  evocação do alimento e seus múltiplos sentidos e significados, do pão ao ato de comer: degustação, paladar, nutrição, devoração, antropofagia, sabor, náusea e o que mais vier da boca.

No emaranhado de emoções e lembranças de uma infância que não nos abandona (lembrando Benjamin) é que se misturam as imagens como ingredientes de muitas histórias: da cesta levada à vovó por Chapeuzinho Vermelho à devoração do lobo, das migalhas de pão à casa comestível em João e Maria, do banquete servido pelo Rei ao sapo em Henrique de Ferro (mais conhecido como A princesa e o sapo), das ceias de Ano Novo vistas pelas janelas pela Pequena vendedora de fósforos aos delírios da fome, dos feijões em João e o pé de feijão, dos potes de mingau em Cachinhos Dourado e os três ursinhos, do gato devorando o ogro e da ceia com o Rei em O gato de botas, da devoração em O lobo e os sete cabritinhos, do comer e do beber em Alice no país das maravilhas, do Soldadinho de Chumbo na barriga do peixe que ia à mesa ou do leite derramado em A menina do leite de Monteiro Lobato. Nestas narrativas, o ato de comer poderia ser dividido em dois momentos: personagens que comem e personagens que são comidos.

Da antropofagia à estética da fome, da devoração à comensalidade, eis o que se apresenta: o comer solitário e o comer em grupo - comer não só por fome, mas também por prazer e por tradição. Para a Sociologia, o ato alimentar não é só biológico, é também representação de certos valores culturais. A simbologia da comida e do ato de comer pode trazer-nos a compreensão de valores culturais ou históricos. Cabe então a pergunta: como e por que a imagem do alimento fez e faz-se tão presente nos textos voltados para a criança? Ao longo do tempo o alimento se atualizou nas histórias ou permanece com as mesmas funções? E quais funções seriam estas? Ainda não temos todas as respostas, mas ensaiamos algumas possibilidades.

Fatiando as idéias críticas

Câmara Cascudo afirma que o primeiro depoimento sobre alimentação indígena no Brasil é a Carta de Pero Vaz de Caminha, datada de primeiro de maio de 1500. Vários dos sermões analisados no Brasil entre os séculos XVII e XVIII eram baseados fundamentalmente em metáforas alimentares. Em uma sociedade na qual a oralidade era a principal forma de difusão do conhecimento, tais metáforas eram muito recorrentes. A analogia entre o ato de comer e o ato de pregar remonta à tradição medieval que oferece a palavra do pregador como alimento espiritual para as almas necessitadas e famintas. Os sermões constituíram-se numa modelagem dos comportamentos sociais e adquiriram grande significação em relação à história do uso de metáforas alimentares com função antropológica, pois comparam o processo de conhecer ao de ingerir alimentos. Neste sentido, essas metáforas ajudavam a fundamentar o ciclo pedagógico dos sermões.

Para Flandrin & Montanari, em História da alimentação (1996), a função religiosa da alimentação remonta ao terceiro milênio antes de Cristo na Mesopotâmia, onde a homenagem aos deuses era feita por meio de oferendas alimentares (carnes, pão, leite, cerveja e vinho). Segundo os autores, a função social do banquete, muito ressaltada no mundo grego e romano, girava em torno do convívio e da troca de cortesias ocasionando um importante elemento de distinção entre o homem civilizado, o bárbaro e os animais: “O homem civilizado come não somente (e menos) por fome, para satisfazer uma necessidade elementar do corpo, mas também (e sobretudo) para  transformar esta ocasião em um ato de sociabilidade [...]”. (FLANDRIN; MONTANARI, 1996: 108)

No primeiro e segundo tomo de História da alimentação no Brasil (1967; 1968), Câmara Cascudo expõe o percurso da sociologia do alimento no cardápio tradicional indígena, africano e português em relação à constituição do comum na comida nacional e se refere sempre à alimentação e não à nutrição, pois conforme suas pesquisas do alimento na contemporaniedade, percebeu que os padrões alimentares estão mais ligados à tradição do que à nutrição, bem como a predileção de certos sabores: “o povo guarda sua alimentação tradicional porque está habituado, porque aprecia o sabor [...]. Pode não nutrir mas enche o estômago. E há gerações e gerações fiéis a esse ritmo” (2004: 15). 

Gianni Rodari, escritor italiano, assinala a fome como uma das grandes tragédias do século XX - fome tanto do corpo como da alma. O escritor afirma que ambos (corpo e alma) precisam ser nutridos - talvez por isso seus textos literários reflitam uma profunda ligação com o alimento. Clarice Lispector também apontou essa duplicidade da fome: “a fome é nossa endemia, já está fazendo parte do corpo e da alma. E, na maioria das vezes, quando se descrevem as características físicas, morais e mentais de um brasileiro, não se nota que, na verdade estão descrevendo os sintomas físicos, morais e mentais da fome” (apud ANDRADE, 1993: 59).

Cecília Meireles, em Problemas da literatura infantil (1949) usa-se de metáforas alimentares em suas considerações: “a literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição” (grifo da autora). Ao falar da literatura de tradição oral, Meireles afirma que era dela que “se nutria a criança, antes do livro, recebendo-a como um alimento natural nos primeiros anos da vida” (grifo nosso). Usando termos como nutrição, receita e alimento a autora aproxima do leitor suas idéias, como os sermões tentavam se aproximar do quotidiano de seus expectadores. Como já apontava a escritora nos fins da década de quarenta, o problema não era (muito menos hoje) de carência e sim de abundância de livros. Títulos multiplicam-se nas prateleiras, mas a nossa preocupação é se eles chegam efetivamente à mesa do leitor e se tornam nutritivos por meio da leitura. Perrone-Moisés lembra que a leitura exige tempo e esforço que não condizem com a vida cotidiana atual: “os novos escritores, afinados com os hábitos alimentares deste fim de século, publicam livros light, para serem consumidos rapidamente” (1998: 178). Werner Zotz em Livro que te quero livre escreve sobre a preferência do pequeno leitor, pois “tão importante quanto desenvolver e melhorar o paladar literário no jovem leitor é entregar-lhe um livro do qual goste” (2005: 25) e completa sobre o prazer da leitura: “não existe uma receita pronta, pelo menos eu não a conheço. O educador vai precisar usar toda sua sensibilidade, tendo em mente que cada situação e ocasião têm aspectos muito particulares” (2005: 31).


Sem mais delongas: hora do lanche

O livro Fábulas por telefone, de Rodari, com uma edição brasileira em 2006, apresenta histórias curtas porque são contadas por um caixeiro viajante, pelo telefone, à sua filha antes de dormir. No livro temos a ocorrência de uma mansão de sorvete, uma cozinha espacial, os homens de manteiga, a febre comilóide, a senhora Apolônia de geléia, a rua de chocolate, a história do reino da comilança, o caramelo instrutivo. No conto “Os homens de manteiga”, Rodari conta a história de um grande viajante que explorou um país no qual todos os homens eram de manteiga: “esses homens derretiam ao se expor ao sol, eram obrigados a viver sempre na sombra, e moravam numa cidade em que, no lugar de casa, havia um monte de geladeiras” (2006: 38). Em “A mansão de sorvete”, o teto era de chantili, a fumaça das chaminés de algodão-doce, as portas, as paredes e os móveis de sorvete: “Um menino bem pequenininho agarrou-se aos pés de uma mesa e lambeu um de cada vez, até que a mesa caiu em cima dele com todos os pratos.” (RODARI, 2006: 21). Ainda do mesmo autor, podemos citar o livro Alice viaja nas Histórias (2007) que narra a trajetória da menina Alice que escorregou e caiu dentro de um livro de histórias e acabou se deparando com a Bela Adormecida, depois com a Chapeuzinho e quase foi devorada pelo lobo. Correndo para não virar o superlanche do lobo, acabou saltando na história do Gato de Botas e foi jogada para fora do livro.

Por falar em Chapeuzinho, como não mencionar A verdadeira História de Chapeuzinho Vermelho (2008), de Baruzzi e Natalini, livro traduzido por Ìndigo. Numa história cheia de intertextos e numa ilustração cheia de texturas, cartas, bilhetes, portas que se abrem, ônibus que se movimenta, personagens que mudam de cor, o livro encanta os leitores. O lobo escreve uma carta, para a Chapeuzinho, cheia de erros de português pedindo ajuda para ser bonzinho e para melhorar sua escrita. O primeiro conselho da menina é que o lobo deixe de comer carne. No livro Refeições sem-carne para carnívoros recuperados, a menina procura uma receita para o jantar, entre elas encontra: rabada de cenoura, hambúrguer de beterraba, estrogonofre de verdura, torta de alface, dentre outras. O lobo, que acaba virando celebridade de tão bonzinho que se torna, acaba enfurecendo a menina que até então era a pessoa mais popular da floresta. A menina (ao contrário da doce Chapeuzinho com a qual estamos acostumados) prepara um misterioso sanduíche que torna o lobo malvado novamente. E adivinhem o que tinha no sanduíche? Hum... uma enorme salsicha!

Outra sugestão apetitosa é o livro de Jonas Ribeiro, Poesias de dar água na boca (com ilustrações de André Neves), que nos oferece um cardápio poético para a semana inteira, desde comida japonesa até uma sobremesa mineira, passando pela Vila da comilança e pela Escola Água na Boca. Pensando nas relações familiares temos o livro de Simone Schapira Wajman, intitulado O ovo e o vovô (2001), com ilustrações também de André Neves, que compara o vovô à frágil vida de um ovo: “por fora, parecia duro, como a casca do ovo, mas por dentro era mole, mole, como a clara e a gema.”; o vovô brilhava como a gema, dava beijo estrelado como ovo.

O que os autores nos dizem sobre a alface, alimento muitas vezes deixado de lado pela criança? No poema “Hortifrutigranjeiros”, Sérgio Capparelli (2007) lembra principalmente da alface:

Ajuntar alface com jaca
Dá pepino por aqui.
Não somos bananas
Ou conversamos abobrinha
E, se quiser saber, plantamos batata, sim,
mas pra quebrar um galho
ou descascar abacaxi.
Ajuntar alface com jaca
dá pepino por aqui. (p. 96)

Murilo Mendes em “Amostra da poesia local” (1994) também nos fala da alface:

Tenho duas rosas na face,
Nenhuma no coração.
No lado esquerdo da face
Costuma também dar alface,
No lado direito não. (p. 185)


Em outro poema, “A alface aérea”, Ricardo da Cunha Lima (2007) narra um fato amalucado:

Este fato amalucado
Ocorreu no mês passado:
Uma alface bem verdinha,
Já lavada pra salada
E que estava repousada
Sobre a mesa da cozinha,   
De repente se mexeu,
Suas folhas agitou
E a seguir se debateu,
Bateu folhas e voou. (p. 37)


Sabor de Sonho (1997), de Cláudio Feldman, conta a história de um sonho “que conto neste momento. Sonhei que estava na terra em que tudo era alimento”:

O chão (...) com trechos de paçoquinha,
tinha buracos de queijo
e pedras de batatinha.
(...) Os sítios eram cercados
Por muros de pirulitos,
E os galos dos cata-ventos, 
Que delícia, estavam fritos!



Em “Traças de regime”, poema de Sérgio Capparelli, do livro 111 poemas para crianças (2007):

Se estão com pressa,
Comem sanduíches de escritores importantes,
Cecília Meireles, Lygia Bojunga,
Hesíodo e os deuses gregos.
Elas dão conselhos:
“as histórias lacrimejantes são melhores
Porque facilitam a digestão”.

E estamos conversados!
Traças iletradas são sem cerimônia:
Comem heróis, heroínas, enredos,
E no fim devoram o autor.

Ah, as traças, como evitá-las?
Comem Mario Quintana, devoram os dois
Verissimos (Pai e filho)
E, de sobremesa, encomendam escritores bem
Românticos.
Olha, lá vai uma arrotando Lobato. (p. 34)


A partir dessa amostra de textos relacionados com a questão alimentar, identificamos algumas categorias/funções: o ato da devoração nos contos clássicos; o alimento como personagem que ganha vida, bate asas e voa, como no poema “A alface voadora”, de Ricardo da Cunha Lima; o alimento sendo comparado a um personagem, como no livro de Wajman, O vovô e o ovo ou no poema “Hortifrutigranjeiro” de Sérgio Capparelli, no qual o escritor usa-se dos jogos de linguagens e dos ditos populares para montar o poema; o alimento compondo objetos como em Sabor de Sonho de Cláudio Feldman que fala de um delicioso sonho num lugar em que tudo era comestível (assim como no conto a mansão de sorvete de Rodari). Podemos individuar ainda, pensando num prato bem nutritivo, personagens vegetarianos como em “Pequenos Assassinatos” de Affonso Romano de Sant’Anna; os gostos da terra, da batata e do mingau de cará em Eloí Bocheco; o almoço no Tchau de Lygia Bojunga; o pato na panela ou a “Feijoada à minha moda” de Vinicius de Moraes; a vontade da faminta princesa Tiana de comer pizza de maçã, no livro de Márcio Vassallo; as frutas do pomar de palavras de Werner Zotz; o prato de macarrão em Elias José; uma limonada em Ana Maria Machado ou ainda as saudades em Ruth Rocha que na aurora da vida “não gostava da comida, mas tinha que comer mais”.


Considerações sobre o cardápio

Câmara Cascudo resume bem nossas atuais angústias alimentares: “precisamos comer depressa, digerir depressa, abandonar a mesa como a um assento em brasa. Vida prática. Essências. Sumos. Comprimidos. Lataria. [...] olho no relógio” (2004: 362). Como foi dito no início deste texto, é preciso acordar os sentidos e se uma boa história pode nutrir, comamos. Segundo Câmara Cascudo, a industrialização dos alimentos reduz a cozinha a um armário de latas (atualizando, de congelados), da mesma forma, a mercantilização dos livros sem qualidade pode encher a estante da escola de papel colorido. Temos uma emergência nutritiva a ser sanada. Se tudo depende do instinto, da experiência e da intuição do cozinheiro (CÂMARA CASCUDO, 2004: 873) precisamos preparar cada vez mais nossos professores.

Entendemos ser o uso da imagem alimentar no texto literário um elemento que seduz o leitor (independente da faixa etária) e contribui para estimular o gosto pela leitura por ser algo que gera facilmente uma identificação. Talvez por isso essa presença marcante em tantas histórias – comer, pouco ou muito, é uma necessidade. Como lembra Alberton (1980: 14), uma única condição é exigida pelo leitor infantil: encontrar na obra a sua forma própria e peculiar de ver os seres e as coisas seja com características surreais, com alfaces que batem asas, sanduíches de escritores ou ruas de chocolate que despertam a imaginação ardente da criança (expressão utilizada em “A menina do leite”, conto de Monteiro Lobato) e da criança em cada adulto.

Atualmente, os jogos de linguagens propostos pelos escritores atualizam cada vez mais a inserção do alimento no texto – é algo muito próximo da criança e do adulto, pois faz parte de nosso quotidiano. Procuramos assim, perante o livro infantil e as histórias clássicas mostrar como pode ser nutritivo e divertido saborear em sala de aula textos que trabalhem com imagens alimentares. O alimento serve como isca para o leitor e contribui na prática pedagógica muitas vezes pelo estranhamento gerado. 


REFERÊNCIAS


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[1] Daniela Bunn (1979) é doutoranda em Literatura e professora de Metodologia e Prática do Ensino de Português na Universidade Federal de Santa Catarina. Contato e sugestões: danibunn@yahoo.com.br.  Visite o blog  Digestão, disponível em:< http://danibunn.blogspot.com>.


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 6 - teresina - piauí - julho/agosto/setembro de 2010]
 
 

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