Meu corpo é o teatro
da ruína e do sonho,
rio de imagens e música,
oceano navegado
por cavalos do espírito,
quando me entrego ao ritmo
dos ciclos múltiplos
da ruína e do delírio.
Babilônia fez seu império.
Meu corpo é o império do sonho.
.
O futuro seria penetrar ruínas,
tempo desfiando tempo,
no oculto movimento da fantasia,
como uma estrela celebrando
o nome cego do infinito
na casa do esquecimento.
Resta a estrada eterna:
eu, você, o vento.
De todos os tempos
declamados pelo sonho,
o futuro é o balé mais belo.
.
Num porto secular da memória,
bailo no caos,
destroçando as margens sagradas
das cifras antigas,
declamo piruetas no caos das ruínas,
as musas ocultas
calculam o sonho entre os destroços do templo,
navego como um trovador dos séculos,
ébrio peregrino,
o que vejo é meu caminho,
o oceano
devora o cérebro dos séculos,
sou uma ponte
a degolar os símbolos,
que navegam.
.
Se o amor é minha sina,
quem poderia,
sonho após dia,
compor tão doce ruína?