o braço cobre a extensão não dita o mar inacabado que o pulso não toca abre uma fenda no pulmão
a passos de quebrar a superfície porosa do gozo
[borboleta noturna]
a passos de parar o movimento da composição uma borboleta noturna
magra estende a seqüência de pausas escandida em pauta
no tato cobre o pulso febril e incide no corpo surdo
[passos de prosseguir]
como esperar o fulgor do gozo antes do desconforto incessante que habita o museu de tudo
não há contingência – em vigília que seja evidente
toda direção sabe a insuficiência de manter passos de prosseguir
[a febre retida]
a manhã exata insere a febre retida no ciclo absoluto do dia
o pulso desatado desenha a anemia do laço que o poema inaudito sufoca em gritos
tudo conflui à palavra
[no exercício do verso]
a direção que toma o fluxo incidente da palavra no exercício do verso
habita – antes o corpo tocado pela ausência
[inscrita em corpo]
a propriedade poemática de um tenso silêncio se anuncia não na fratura espessa do trauma cravado no verso
mas na duvidosa prosa inscrita em corpo
____________________ Marcos A. Ramos nasceu em 1988, cursa Letras e Psicologia. Atualmente se dedica aos temas: literatura brasileira contemporânea, teoria da literatura, psicanálise. Tem publicado artigos em periódicos e prepara seu primeiro livro de poemas - "O corpo de uma linha".