6 poemas de
Marcos A. Ramos




[a superfície porosa do gozo]

o ar poemático
que habita a palavra
não diz

sequer o corpo
oco se aflige
nesse precipício

o braço cobre a extensão não dita
o mar inacabado que o pulso não toca
abre uma fenda no pulmão

a passos de quebrar a superfície porosa
do gozo



[borboleta noturna]

a passos de parar
o movimento da composição
uma borboleta noturna

magra estende
a seqüência de pausas
escandida em pauta

no tato cobre o pulso
febril e incide no corpo 
surdo




[passos de prosseguir]

como esperar
o fulgor do gozo
antes do desconforto
incessante que habita
o museu de tudo

não há contingência
– em vigília
que seja evidente

toda direção sabe
a insuficiência de manter
passos de prosseguir 




[a febre retida]

a manhã exata insere
a febre retida
no ciclo absoluto do dia

o pulso desatado desenha
a anemia do laço que o poema
inaudito sufoca em gritos

tudo conflui à palavra




[no exercício do verso]

a direção que toma
o fluxo incidente da palavra
no exercício do verso

habita
– antes
o corpo tocado
pela ausência 





[inscrita em corpo]

a propriedade poemática
de um tenso silêncio
se anuncia  não na fratura espessa
do trauma cravado no verso

mas na duvidosa prosa
inscrita em corpo



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Marcos A. Ramos nasceu em 1988, cursa Letras e Psicologia. Atualmente se dedica aos temas: literatura brasileira contemporânea, teoria da literatura, psicanálise. Tem publicado artigos em periódicos e prepara seu primeiro livro de poemas - "O corpo de uma linha".


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[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 4 - teresina - piauí - janeiro/fevereiro/março de 2010]
 
 

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