A espera

Herasmo Braga




A notícia logo se espalhara: abandonado fora pela mulher. Relatos como esse não é nada incomum. Não fosse o fato por quem a sua mulher o trocara. 

Naqueles momentos sentia-se o verdadeiro macho, no sentido pleno do termo. Duas ao seu lado, e ele o sujeito a devorá-las. Acontecia em tempos e tempos. Não por vontade sua que queria com mais vezes. Combinava, ligava e aguardava. Uma vez se surpreendeu com uma baixinha. Sentiu vontade de fechar a porta, mas entre o nada e um tira gosto ficou com a pequena porção. A feinha surpreendeu: compensou o tamanho com desenvoltura na ação efetiva. Inesquecível aquela noite...

Não gostava de sair só. Sua satisfação maior estava em vê-la em meio a abraços e carícias, o fascinava naquele ato sacro para ele.
Francisco viajava muito e durante a distância se satisfazia nas lembranças. Após um tempo foram só elas quem ficaram.

Chegou em casa e viu tudo arrumado. Tudo em ordem. Não demorou muito a perceber o silêncio. Estremeceu... No fundo ele sabia da possibilidade deste acontecimento. Levantou-se, tomou um copo d’água e resolveu não sair. Esperaria, talvez se arrependesse.

Após alguns dias chegou a notícia em tom de fofoca. Não quis averiguar. Apegou-se às lembranças e saiu à caça de outras noites.



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Herasmo Braga é mestre em Literatura pela UFPI.

blog: O mundo é do tamanho do meu vocabulário



[revista dEsEnrEdoS - ISSN 2175-3903 - ano II - número 4 - teresina - piauí - janeiro/fevereiro/março de 2010]
 
 

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